Translate

28 setembro, 2007

QUANDO A TROCA DE PARTIDO É POLITICAMENTE VIÁVEL


Joel Oliveira (candidato a prefeito de Codajás -camisa vermelha- e Deputado José Lobo (candidato a prefeito de Coari)camisa azul-centro.


Não obstante às possíveis interpretações jurídicas que possam ser aplicadas no julgamento a respeito da prioridade sobre o mandato, a troca de partido pode ser politicamente inviável em alguns casos, e politicamente viável em outros. Para os detentores de mandatos a frente do executivo, a troca de partido, via de regra, pode ser considerada politicamente inviável devido às suas implicações concretas.
Prefeitos, governadores e presidentes da República, ao serem eleitos, distribuem cargos de confiança e cargos em primeiro escalão (secretarias e ministérios) entre os membros de seu partido e coligação. Além disso, há de se considerar que, numa eleição majoritária o label partidário emite para os eleitores, informações mais consistentes sobre as possíveis ações do governo. Uma troca de partido, para quem está à frente do executivo, traz por conseqüência, uma série de desdobramentos que precisam ser muito bem calculados antes da decisão de se filiar a outro partido. Do ponto de vista governamental, é preciso, por exemplo, saber se os detentores de cargos de confiança acompanharão o titular do cargo na opção por uma nova sigla partidária, ou se o novo partido dispõe de quadros suficientes para substituir os que decidirem deixar o governo. Isso sem falar na bancada governista no legislativo, uma vez que, é fundamental para qualquer executivo dispor de sólida maioria na casa, para que seus projetos de lei sejam aprovados.

Nos legislativos, as trocas de partidos, ou migrações partidárias em termos técnicos, tendem a ser mais toleradas
Do ponto de vista eleitoral as coisas também são complicadas. Os eleitores, de modo geral, tendem a se sentirem traídos quando elegem um governante por um partido e esse governante migra para outra legenda. Nos legislativos, as trocas de partidos, ou migrações partidárias em termos técnicos, tendem a ser mais toleradas. Um deputado que troca de partido, carrega consigo um número reduzido de assessores e colaboradores.
Pesquisas acadêmicas comprovam que, as migrações partidárias nos legislativos brasileiros estão relacionadas a um cálculo realizado pelos parlamentares a respeito da ampliação de suas chances eleitorais a partir da troca de partido. Dessa forma, os partidos governistas são os mais beneficiados pelas migrações partidárias. Isso ocorre porque os partidos governistas abrem canais de acesso à máquina governamental, permitindo aos parlamentares a destinação de recursos específicos para suas bases eleitorais.
Esse fenômeno explica o fato de que a chamada “fidelidade partidária”, que torna inviável a troca de partido durante o mandato, é sempre uma reivindicação das oposições, enquanto os governistas fazem “vistas grossas” a esse respeito, não importa qual o partido esteja no governo e qual partido esteja na oposição. Aspetos políticos e jurídicos a parte, o recurso da troca de partido durante o mandato, seja no executivo, seja no legislativo, representa sempre uma espécie de “traição” ao eleitor e um fator de enfraquecimento dos partidos políticos, embora, sob determinadas circunstâncias, a troca de partido seja imprescindível para a sobrevivência política.


http://www.blogger.com

Nenhum comentário: